“Nos demais, todo mundo sabe, o coração tem moradia certa, fica bem aqui no meio do peito, mas comigo a anatomia ficou louca, sou todo coração”. Maiakovski, 1923
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Um pouco de T.S.Eliot - nos 125 anos de seu nascimento
Sigamos então, tu e eu,
Enquanto o poente no céu se estende
Como um paciente anestesiado sobre a mesa;
Sigamos por certas ruas quase ermas,
Através dos sussurrantes refúgios
De noites indormidas em hotéis baratos,
Ao lado de botequins onde a serragem
Às conchas das ostras se entrelaça...
Ruas que se alongam como um tedioso argumento
Cujo insidioso intento
É atrair-te a uma angustiante questão . . .
Oh, não perguntes: "Qual?"
Sigamos a cumprir nossa lida,
Na fulva neblina que roça na vidraça suas espáduas,
Fumaça amarela que em teu rosto se esfrega
E cuja língua resvala nas esquinas do crepúsculo,
Pousa sobre as poças aninhadas na sarjeta,
Deixa cair sobre teu dorso a fuligem das chaminés,
Desliza furtiva no terraço, em repentino salto,
E alça vôo ao perceber que era uma tenra noite de outubro,
Enrodilha-se ao redor da casa e adormece.
Tempo há de haver
Para que ao longo das ruas flua a parda fumaça,
Roçando suas espáduas na mesma vidraça;
Tempo haverá...
Tempo haverá para moldar um rosto com que enfrentar
Os rostos que encontrares;
Tempo para matar e tempo para criar,
Tempo para todos os trabalhos e dias em que mãos
Sobre teu prato se erguem, mas depois se deixam cair;
Tempo para ti e tempo para mim,
E tempo ainda para uma centena de indecisões,
E uma centena de visões e revisões,
Antes do servir do chá com torradas...
O poeta, escritor e dramaturgo Thomas Stearns Eliot nasceu em St. Louis, Missouri, Estados Unidos, a 26 de setembro de 1888, e faleceu em Londres, com 76 anos de idade, a 4 de janeiro de 1965.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Ávido
Ávido
Verá
música em meu seguir...
Me
fiz assim, como saída
Pra
romper muros, resistir
Pus
nas letras meus enganos,
Meus
afetos, meus receios,
Melodias,
gritos roucos,
Dancei
choro e desesperos,
Pra
tirar você de mim
Um
dia ainda me lembro,
Quis
você na primavera
Fiz-me
leve, era setembro
Como
leve em um soneto
Fiz-me
breve, fui “prometo”,
Fiz
de tudo pra dar certo
Foi sonho
meu,
Ter
seu afeto...
Ser
o sonho mais sonhado,
Ser
o ente mais querido,
Tu
serias a rainha e
Eu
um servo apaixonado,
Minha
vida o teu reinado,
E
a vida, assim, fazer sentido...
Aqui
estou, me vejo agora,
Livre,
sem laço...
Quem
me vê, não mais a vê,
Junto
a meu braço,
Quer
me quer,
Quer
carinho e meu abraço...
Quem
me ajuda a dar um passo
Pra
mudar a minha sorte?
Vou
querer qualquer suporte,
Pra
deixar toda esta fossa,
E
partir, buscar meu norte...
Ouvir a
música do espaço,
Triar
a tristeza do mundo,
Ser verdade no que faço
Ser verdade no que faço
E a beleza por prazer, por se ter paz
De
saber que não te ter junto a meu braço
É
somente um passo a mais,
Um passo a frente,
Se ontem fiz-me qual demente
E fui ator em fato trágico
E fui ator em fato trágico
Hoje
atuo como mágico,
Que
a ilusão de si, desprende...
Importa mais curtir meu ócio,
E
ser do amor o amante incerto,
Ao invés de ser oculto sócio,
Ao invés de ser oculto sócio,
Num despertar ávido, inquieto,
Buscando alguém que me transcende...
Buscando alguém que me transcende...
domingo, 1 de setembro de 2013
O Sentido da Vida...
Em um reino distante, o Mestre-mor, filosofo e guardião da verdade, grande curandeiro, agonizava em seu leito de morte.
À volta do leito, o Rei, a Rainha, príncipes e princesas, Duques, Condes e Barões esperavam seu último suspiro.
O Rei, o mais próximo à cabeceira, se acerca do Mestre e o questiona:
-Mestre, agora que estás próximo de cumprir teu destino, aqui entre nós, poderia nos deixar com a verdade suprema:
qual o sentido da vida?
Todos olharam com semblante tenso e olhar fixo naquele rosto magro, cabelos ralos, que respirava com dificuldade.O Mestre, vagarosamente, abriu os olhos e com ar sublime sussurrou:
"a vida é como uma xícara de chá."
Um "OH!!!" ecoou no grande cômodo.Um serviçal que atendia ao mestre em suas necessidades últimas, saiu da sala e sussurrou para um outro serviçal e este para o outro, e assim, logo todo reino repetia, assentindo:
a vida como é uma xícara de chá;
Até que, em um ponto longínquo, um cidadão, descompromissado e corajoso, ousou perguntar:-Mas por que a vida é como uma xícara de chá?
Como veio a assertiva voltou a dúvida. Rápida. Até chegar aos ouvidos do Rei, que seus súditos questionavam a afirmação do Mestre.Muito a contragosto, o Rei se aproximou novamente da cabeceira do leito e quase em tom de súplica, temeroso, perguntou ao Mestre, que já se encontrava em seus estertores:
-Mas Mestre, por que a vida é como uma xícara de chá?
O Mestre reuniu suas últimas forças, lentamente deu uma sacudidela de ombros e respondeu sussurrando:-"Recebi esta resposta de meu Mestre, quando lhe fiz esta pergunta. Nunca parei para pensar sobre ela...e agora não terei mais tempo. Talvez a vida não seja como xícara de chá.
Mas quem se importa..."
sábado, 24 de agosto de 2013
Quem somos ?
Somos aqueles, os
pessimistas,
alimentados por sombras de tragédias possíveis
e plausíveis, inventadas pelos
esqueletos do medo
guardados em
armários carcomidos pelo tempo,
ou assustados por
ausências repentinas e
arrestados pelos
arrependimentos tardios ?
Ou seremos então só
restos esquálidos,
irmãos dividindo a mortalha curta
que nos revela inúteis, imprestáveis,
que nos revela inúteis, imprestáveis,
à medida que
cumprimos nossa jornada previsível,
inodora e insossa ?
Ou somos aqueles que
se servem da razão dos covardes
para emitir murmúrios,
para emitir murmúrios,
uns poucos pios
submissos
bradados pelos que
disputam a piedade alheia
e as migalhas caídas
da mesa ?
Ou seremos aqueles
que sucumbem
aos olhares de escárnio
daqueles poucos
que nos ensurdecem
aos gritos de:
Se assim for, a
culpa é nossa
só nossa, homens
ocos,
que crescem parindo
um silêncio
que nos acompanhará
pela eternidade !
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Brilho no Olhar
Versão que fiz para "The way you look tonight" . Cantada por mim acompanhado pelo Marcos Frederico(violão e baixo), Dado Prates (saxofone) e Bastos(bateria). Produção musical do Marcos Frederico, gravado no estúdio Liquidificador - BH.
Abaixo a letra.
Brilho no olhar
Não sei,
se hoje tem luar,
Se há
nuvens no céu,Sei que estrelas já não brilham mais lá,
Como brilha o teu olhar...
És a
imagem
És meu
sonho ao vivo,O sol em teu sorriso
E ao beijar teus lábios, vou sonhar mais
Com o brilho deste olhar
Teu rosto
em meu rosto, ao som da canção
Dançamos,
teu corpo, colado ao meu... Sussurros, promessas, se faz e se jura,
Caricias de amor e ternura...
Querida
Nunca,
não, não mude,Fique assim pra sempre
Me ame em plenitude, pois te amo,
E amo o brilho deste olhar...
Teu
rosto em meu rosto, ao som da canção
Dançamos,
teu corpo, colado ao meu...Sussurros, promessas, se faz e se jura,
Caricias de amor e ternura...
Querida
Nunca, não, não mude,
Fique assim pra sempre
Me ame em plenitude, pois te amo,
E amo o brilho deste olhar...
sábado, 15 de junho de 2013
Último grito !!
Ultimo grito
Nos querem discretos, em pontos
marcados,
Obrando apressados, sonhando em comprar,
O carro do ano ou mais um celular, e
Os juros extorquem, quem consignar:
Com Copas do Mundo nos querem sedar!
Os juros extorquem, quem consignar:
Com Copas do Mundo nos querem sedar!
A morte que espreita, apura o seu faro,
Os glutões, no Poder, tem champagne
e grelhados,
Na feira, as famílias, pagando mais caro,
Espertos se elegem com
a sopa aos coitados!
Mil males
assombram, no ar um receio,
Que a praga se alastre, e nos faça de meio,
Nem pense em rezar ou fazer penitência,
Que a praga se alastre, e nos faça de meio,
Nem pense em rezar ou fazer penitência,
Se os grandes culpados da vil
truculência:
Estão no Poder, corrompendo a
decência!
A tragédia se estampa
na tela das oito.
na tela das oito.
Nos chega ao jantar
ou na hora do coito,
ou na hora do coito,
Mataram? Ou morreu,
Era velho ou criança?
Era velho ou criança?
Uma guerra sangrenta,
Um estupro assassino?
Um estupro assassino?
Diz o dono da voz:
“se conforme, é o destino”!!!
“se conforme, é o destino”!!!
A Droga se espalha na Sociedade,
Impostos que
assaltam, custeiam Compadres,
A Justiça prescreve e o Transporte
não serve,
É o Estudo que falta, e a Saúde
que aflita:
E culpam por tudo a herança
maldita!
A vida é uma faca, e seu corte é
profundo!
Nos cerca de horror e maldita
agonia,
Que encarna, se infiltra, ao
findar mais um dia,
E nos torna insensíveis, alheios
à dor:
E olhe pra baixo ao pedir "por
favor"!
(repetir)
E dormimos rezando:
"Que
nada aconteça,
À patroa, aos meninos,
À patroa, aos meninos,
de mim, não se esqueça,
E a desgraça se faça
E a desgraça se faça
ao vizinho do lado,
E nos poupe outra vez
E nos poupe outra vez
nosso corpo cansado:
ou nos venha de vez a loucura à cabeça! "
ou nos venha de vez a loucura à cabeça! "
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Dedicado a meu único amor...
Neste 12 de junho, nada melhor que assistir a belíssima Michelle Phillips, que canta, junto com John Phillips, 'Mama' Cass Elliot e Denny Doherty, integrantes do grupo The Mamas & the Papas, um de seus maiores sucessos:
" Dedicated To The One I Love " .
Aumentem a tela e assistam.
Dizem que Paul McCartney era apaixonado por ela e que a canção Michelle, gravada pelos Beatles foi feita em homenagem a sua beleza e ao amor não correspondido.
Paul McCartney tinha ou não razão em se apaixonar?
terça-feira, 11 de junho de 2013
AZUL - poema de Noemi Jaffe
azul
esqueço o sonho que não tive.
também lembro dele.
era azul o lugar e um homem segurava uma frase longa, se enrolando nas palavras, mais especialmente nas conjunções: contanto, apesar, embora.
acho que era hamburgo, na fronteira com a dinamarca.
isso, isso é a memória.
ou melhor, o esquecimento, que, na verdade, é o lugar azul da memória, lá onde ela se transforma em mar e se indistingue do céu.
o esquecimento é a polpa azul da memória, lá onde as palavras se enroscam e não sabem o que querem dizer.
às vezes acho que esquecer é mais, muito mais vivo do que lembrar.
por isso, te esqueci, sim, o que me deixa cada vez mais próxima de você.
também lembro dele.
era azul o lugar e um homem segurava uma frase longa, se enrolando nas palavras, mais especialmente nas conjunções: contanto, apesar, embora.
acho que era hamburgo, na fronteira com a dinamarca.
isso, isso é a memória.
ou melhor, o esquecimento, que, na verdade, é o lugar azul da memória, lá onde ela se transforma em mar e se indistingue do céu.
o esquecimento é a polpa azul da memória, lá onde as palavras se enroscam e não sabem o que querem dizer.
às vezes acho que esquecer é mais, muito mais vivo do que lembrar.
por isso, te esqueci, sim, o que me deixa cada vez mais próxima de você.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Te amo bem mais que amo amim, versão de "I´ve got you under my skin" de Cole Porter
Versão de I´ve got you under my skin, que fiz e gravei cantando, acompanhado pelo violão talentoso de Marcos Frederico;
Gravado em maio/2013 no estúdio Liquidificador.
Ampliem a imagem e aumentem o som.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Contrariedades - poesia de Cesário Verde
Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.
Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.
Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.
Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve conta à botica!
Mal ganha para sopas...
O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,
Um folhetim de versos.
Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais uma redacção, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.
A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A Imprensa
Vale um desdém solene.
Com raras excepções, merece-me o epigrama.
Deu meia-noite; e a paz pela calçada abaixo,
Um sol-e-dó. Chuvisca. O populacho
Diverte-se na lama.
Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas.
Receiam que o assinante ingénuo os abandone,
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores
Deliram por Zaccone.
Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua coterie;
E a mim, não há questão que mais me contrarie
Do que escrever em prosa.
A adulação repugna aos sentimento finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos,
E apuro-me em lançar originais e exactos,
Os meus alexandrinos...
E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas,
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
E fina-se ao desprezo!
Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.
Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
Duma opereta nova!
Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas,
Conseguirei reler essas antigas rimas,
Impressas em volume?
Nas letras eu conheço um campo de manobras;
Emprega-se a réclame, a intriga, o anúncio, a blague,
E esta poesia pede um editor que pague
Todas as minhas obras...
E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe a luz no quarto. Inda trabalha. É feia...
Que mundo! Coitadinha!
José Joaquim Cesário Verde (Lisboa, 25 de Fevereiro de 1855 — Lumiar, 19 de Julho de 1886) foi um poeta português, sendo considerado um dos precursores da poesia que seria feita em Portugal no século XX.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Um "plus" a mais, por Luiz Fernando Verisimo
Reproduzo aqui a oportuna crônica de Luiz Fernando Verissimo, como um libelo à extrema estrangeirização da língua.
Passei por uma loja que vendia roupa “plus size” para mulheres. Levei algum tempo para entender o que era “plus size”. “Plus”, em inglês, é mais. “Size é tamanho. Mais tamanho? Claro: era uma loja de roupas para mulheres grandes e gordas, ou com mais tamanho do que o normal.
Só não entendi isto logo porque a loja não ficava em Miami ou em Nova York, ficava no Brasil. Não sei como seria uma versão em português do que ela oferecia, mas o “plus size” presumia 1) que a mulher grande ou gorda saberia que a loja era para ela, 2) que a mulher grande ou gorda se sentiria melhor sendo uma “plus size” do que o seu equivalente em brasileiro, e 3) que ninguém mais estranha que o inglês já seja quase a nossa primeira língua, pelo menos no comércio.
A invasão de americanismos no nosso cotidiano hoje é epidêmica, e chegou a uma espécie de ápice do ridículo quando “entrega” virou “delivery”.
Perdemos o último resquício de escrúpulo nacional quando a nossa pizza, em vez de entregue, passou a ser “delivered” na porta. Isto não é xenofobia nem anticolonialismo cultural americano primário, nem eu acho que se deva combater a invasão com legislação, como já foi proposto. O inglês, para muita gente, é a língua da modernidade. Todos queremos ser modernos e, nem que seja só na imaginação, um pouco americanos. E nada contra quem prefere ser “plus” a ser mais e ter “size” em vez de altura ou largura. Só é triste acompanhar esta entrega — ou devo dizer “delivery”? — de identidade de um país com vergonha da própria língua.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Museus do mundo: perdoem...
Museus do mundo: perdoem... (maio-2013)
Nesta 3ª semana de maio homenageiam-se os Museus. Fiz um mea-culpa que acho encontra espelho em muita gente.
Pensar que inúmeras
vezes passei ao largo,
Não entrei. Me omiti. Deveria ter ao menos, curiosidade,
Daquelas que vem com a idade,
Ao questionar: Por que
não?Não entrei. Me omiti. Deveria ter ao menos, curiosidade,
Daquelas que vem com a idade,
Mas quero registrar um
recado:
Ainda há tempo de reparar o pecado
E começar a aprender a velha
e sábia lição:Ainda há tempo de reparar o pecado
De onde viemos, o que fizemos, quem foi Platão?
Não me conformo por ter
desprezado tua existência,
Não me conformo em ter olvidado tua evolução,
Me surpreendo ao ver o quanto há de sapiência,
Como pude conviver com tua ausência,
Em nome de uma falsa e hipócrita
razão?Não me conformo em ter olvidado tua evolução,
Me surpreendo ao ver o quanto há de sapiência,
Como pude conviver com tua ausência,
Não há palavras que podem te resolver em minha equação.
Talvez um olhar de carinho,
Um gesto, qual cuidador,
Alguma forma escondida de mostrar minha emoção.
Mas importante mesmo, é visitar e perceber
As ideias que ali insistem em estar e se expor
Para sanar dúvidas, levar luz ao lado escuro do ser...
Como a casa de um fraterno amigo,
Que ao colher a historia, do principio ao cabo,
Se fez abrigo de todo passado
Que pra nós, graças a ele, não passou.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Lições de vida
Lições de Vida
...
Depois de um tempo você aprende que o sol queimará se
ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se
importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. E aceita que não importa
o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa
perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre
que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la,
e que você pode fazer coisas num instante, das quais se arrependerá pelo resto
da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distancias. E o que importa não é o que se tem na vida, mas quem
você tem na vida. E que os bons amigos são a família que nos foi permitida
escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se
compreendermos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem
fazer qualquer coisa, ou nada, e ainda terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na
vida muitas vezes são tomadas de você muito depressa; por isso devemos sempre
deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a última vez
que nós a vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem
influências sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Descobre que
se leva muito tempo para tornar-se a pessoa que quer ser, e que este tempo é muito
curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo; e que se você não sabe para onde está indo,
pare e reflita; não é qualquer lugar que serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o
controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter
personalidade, pois não importa o quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem dois lados. Aprende que quando está com raiva tem o direito de
estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel com quem está ao lado.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era
necessário fazer, enfrentando conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que muitas vezes a
pessoa que você espera que o chute quando você vai cair é uma das poucas que o
ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de
experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos
aniversários você celebrou.
Aprende que há mais de seus pais em você do que você
supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens;
poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse
nisso.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você
quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que consegue,
pois existem pessoas que nos amam, e simplesmente não sabem como demonstrar da
forma como gostariamos. Aprende que nem sempre é o suficiente ser perdoado por
alguém; algumas vezes você tem que
aprender a perdoar-se.
Aprende que, com a mesma severidade que julga, você também o será,
em algum momento. Aprende que não importa em quantos pedaços seu
coração foi partido, o mundo não pára pra que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que você possa fazer
voltar atrás. Portanto, plante seu jardim e enfeite sua alma, ao invés de
esperar que alguém lhe traga adornos para tal.
E você aprende que pode suportar, que é forte, e que pode
ir muito mais longe, mesmo depois de pensar que não pode mais.
E que por mais que muitos falem que não, a vida pode SIM
ter um significado;
Se você se fizer significante para os que estão a seu
lado!
Finalmente, disse uma vez um poeta:
"Todos temos dádivas, dons, intuições especiais. Muitas vezes nos traímos, e não os usamos. Perdemos, então, a oportunidade de conquistar um bem que nos é facultado por direito. Se pelo desconhecimento deles ou pela irracionalidade presente, que seja.
Pior é quando é pelo medo de nunca tentar por em pratica.
Ouse. Sempre."
quinta-feira, 9 de maio de 2013
a batatinha e a mamãe
a batatinha e a mamãe
(do conhecido versinho, de domínio público,
nasceu esta "Ode ao Amor de Mãe") - 2004
Batatinha quando nasce,
Espalha rama pelo chão...
Mamãezinha quando dorme
Põe a mão no coração...
Coração de Mãe é enorme
Toda vez que você dorme,
Um sonho vem do Coração...
Pra mamãe, como presente,
Deve um verso recitar,
Tenha agora e sempre
O
Sabe quem criou o Amor ?
Pois eu sei...
Eu vou contar :
Quando há tempos, tempo faz,
Deus criou céu, terra e mar,
Criou também Adão e Eva,
E ensinou o Amor ao par...
Por um tempo, observando, começou a preocupar:
“Como é belo o tal Amor,
Tão lindo e tão intenso...
Mas está sobrando senso,
Eu preciso melhorar...
Amar alguém só se alguém também lhe amar?”
O que Eu quero é bem maior”, disse Deus, e completou:
" Quero um Amor que não quer troca, que não peça, que se doe,
Que suporte sede e fome, a dor forte que o consome, e ainda assim, perdoe...
Então, a Mãe,
DEUS teve que inventar...
E do coração da Mãe
Fez o maior lugar que há,
Pois previa já o tamanho
Que o amor de Mãe pode chegar...
E DEUS
não erra, e não errou...
O Amor que a prima-Mãe mostrou
Foi do jeito que previa,
DEUS então determinou :
“Mãe, serás do amor,
Amor-a-dia “...O Amor que a prima-Mãe mostrou
Foi do jeito que previa,
DEUS então determinou :
“Mãe, serás do amor,
Por isto,
Quando eu for “papai/mamãe” um dia,
Da Mamãe eu vou lembrar...
“- Todo amor de uma família vem da Mãe...
. ...que se espalha, como rama, em cada olhar...
segunda-feira, 6 de maio de 2013
O mais importante...
Num dia lindo e ensolarado, o coelho saiu de sua toca com o
notebook e pôs-se a trabalhar, bem concentrado. Pouco depois, passou por ali a
raposa e viu aquele suculento coelhinho, tão distraído, que chegou a salivar.
No entanto, ela ficou intrigada com a atividade do coelho e aproximou-se,
curiosa:
R - Coelhinho, o que você está fazendo aí tão concentrado?
C - Estou redigindo a minha tese de doutorado - disse o coelho sem tirar os olhos do trabalho.
R - Humm .. . e qual é o tema da sua tese?
C - Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais de animais como as raposas.
A raposa fica indignada: R - Ora! Isso é ridículo! Nos é que somos os predadores dos coelhos!
C - Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu mostro a minha prova experimental.
O coelho e a raposa entram na toca. Poucos instantes depois ouvem-se alguns ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois silêncio. Em seguida o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma os trabalhos da sua tese, como se nada tivesse acontecido. Meia hora depois passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho tão distraído, agradece mentalmente à cadeia alimentar por estar com o seu jantar garantido. No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho trabalhando naquela concentração toda. O lobo então resolve saber do que se trata aquilo tudo, antes de devorar o coelhinho: L - Olá, jovem coelhinho. O que o faz trabalhar tão arduamente?
C - Minha tese de doutorado, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.
O lobo não se contém e cai na gargalhada com a petulância do coelho. L - Apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito. Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa...
C - Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova. Você gostaria de me acompanhar à minha toca?
O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte. Ambos desaparecem toca adentro. Alguns instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e ... silêncio. Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível, e volta ao trabalho de redação da sua tese, como se nada tivesse acontecido... Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensanguentados e pelancas de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos. Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme LEÃO, satisfeito, bem alimentado e sonolento, a palitar os dentes.
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MORAL DA HISTORIA:
- Não importa quão absurdo é o tema de sua tese.
- Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico.
- Não importa se os seus experimentos nunca cheguem a provar sua teoria.
- Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos...
- o que importa é QUEM É O SEU ORIENTADOR..
C - Estou redigindo a minha tese de doutorado - disse o coelho sem tirar os olhos do trabalho.
R - Humm .. . e qual é o tema da sua tese?
C - Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais de animais como as raposas.
A raposa fica indignada: R - Ora! Isso é ridículo! Nos é que somos os predadores dos coelhos!
C - Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu mostro a minha prova experimental.
O coelho e a raposa entram na toca. Poucos instantes depois ouvem-se alguns ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois silêncio. Em seguida o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma os trabalhos da sua tese, como se nada tivesse acontecido. Meia hora depois passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho tão distraído, agradece mentalmente à cadeia alimentar por estar com o seu jantar garantido. No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho trabalhando naquela concentração toda. O lobo então resolve saber do que se trata aquilo tudo, antes de devorar o coelhinho: L - Olá, jovem coelhinho. O que o faz trabalhar tão arduamente?
C - Minha tese de doutorado, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.
O lobo não se contém e cai na gargalhada com a petulância do coelho. L - Apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito. Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa...
C - Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova. Você gostaria de me acompanhar à minha toca?
O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte. Ambos desaparecem toca adentro. Alguns instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e ... silêncio. Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível, e volta ao trabalho de redação da sua tese, como se nada tivesse acontecido... Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensanguentados e pelancas de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos. Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme LEÃO, satisfeito, bem alimentado e sonolento, a palitar os dentes.
________________________________________________________________________________
MORAL DA HISTORIA:
- Não importa quão absurdo é o tema de sua tese.
- Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico.
- Não importa se os seus experimentos nunca cheguem a provar sua teoria.
- Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos...
- o que importa é QUEM É O SEU ORIENTADOR..
domingo, 28 de abril de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Luis Miguel canta " La Puerta " e "El dia que me quieras" , há mais de 20 anos em Acapulco.
Boleros belíssimos, tanto em letra como em melodia.
ARRIBA MEXICO!!
Momento romântico, nesta vida tão árida e custosa de viver.
(aumente a tela e o som
La puerta
composta por Luiz demetrio
Cantada por Luis Miguel
composta por Luiz demetrio
Cantada por Luis Miguel
El dia que me quieras
composta por Alfredo La Pera
cantada por Luis Miguel
domingo, 7 de abril de 2013
A Infância e a educação
Prólogo
Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível.
Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam
que seus filhos sejam professores. Isso é a realidade, e que sabemos que o
trabalho de educar é duro, pouco remunerado, pouco valorizado na sociedade, apesar
de necessário. E o pior é que permitimos que esses profissionais continuem
sendo desvalorizados. Com baixo prestígio social e responsabilizados pelo
fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu
trabalho. Me disseram ou li em algum lugar, que no Japão, uma cultura milenar,
o Imperador só faz reverência para uma classe de pessoas: a dos professores. Não
sei se é verdade mas me parece lógico.
Repensemos nossos papéis, pais, alunos, sociedade, e nossas atitudes, pois com
elas demonstraremos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores,
fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem
diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não
apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem
ela, tampouco, a sociedade muda.
Ninguém nasce feito, é conhecendo e experimentando o mundo que nós nos fazemos. Quanto mais conhecer, quanto mais experimentar, mais vamos nos fazer.
Não estamos no mundo simplesmente para se adaptar a ele. Certo que algumas adaptações são necessárias, mas, somente para transformá-lo; e se não é possível mudá-lo de imediato, se seu sonho não acontece com a rapidez que você pensou, não desista. Use outras possibilidades que tenha à mão, mas não esqueça que sua meta é o seu sonho. Seja persistente.
A democracia e a liberdade, são conquistas, não são doações. Se vocês hoje as tem, outros as conquistaram para vocês. E cabe a vocês fazer que elas alcancem seus filhos e netos, e assim por diante.Exige permanente conquista de todos e para todos. Todo amanhã se cria num ontem, através de um hoje . Temos de saber o que fomos, para saber o que queremos ser.
Paulo Freire
Infância :
Minha mãe, minha primeira professora...
1957. Brumado, distrito de Pitangui, MG.
Todos
meus amigos eram mais velhos do que eu. Eu com 5 a 6 anos; eles com 8, 9, 10 ou
mais. Brincadeiras como o descer a rua em um cavalo de madeira(vassoura) com
ramos de árvore amarrados ao seu final, para fazer o máximo de poeira, imitando
os carros e ônibus que passavam na lá na estrada, nadar no açude ou pescar, quando
o Tasso podia levar a gente, preenchiam nosso lazer diário, nosso cotidiano.
Sempre pelas manhãs, até a hora do almoço.
Á tarde, mamãe tinha mais tempo pra nós, pra mim e Patricia, minha irmã. Depois de colocar meu irmãozinho, bebê ainda, Bráulio, pra dormir, contava histórias e lia pra gente. Comecei a entender as letras e as palavras ainda bem novinho, com uns 3 a 4 anos. Fui me alfabetizando devagarzinho, conhecendo o significado de algumas palavras e a escrever algumas frases. Com 5 anos eu já lia os jornais da capital e o Diario do Oeste, de Pitangui, que papai trazia para casa. Lia catálogos de tecidos, lia receita de médico, lia qualquer coisa que aparecesse pela frente. Ele morria de rir: “Disparou...” dizia pra mamãe. E eu era ávido por este mundo diferente do meu, do cotidiano.
Passei a perceber que à tarde, quando eu ficava em casa, meus amigos não apareciam. Iam pro Grupo Escolar, ter aula. Não havia reparado nisto antes. Passei a reparar. Perguntei a mamãe que me explicou rapidamente. “-Um dia você também vai...” e pronto. O Grupo Escolar ficava do outro lado do muro da Fabrica. Eu ainda não tinha idade para frequentar. Mas percebi que tinha uma inveja danada de meus amigos e das coisas que eles contavam que tinham acontecido lá. Das provas, das notas, e dos livros e cadernos...
Um dia, sem que a Alice, nossa babysitter, percebesse, fugi depois do almoço, e acompanhei meus amigos até a porta do Grupo. Voltei correndo. Mamãe descobriu, ficou brava por eu sair sem lhe falar nada. Passados alguns dias, lá fui eu de novo. Desta vez demorei mais. Fiquei lá fora, vendo os alunos entrarem. Subi em um morrinho que tinha ao lado da escola e de lá pude ver eles sentarem, cada um com sua mesinha, abrir os cadernos, esperar pela entrada da professora, que foi logo escrevendo em uma parede preta, que vim a saber depois, chamava-se quadro-negro. Fiquei muito tempo ali apreciando e reparando as conversas e brincadeiras, as falas da professora, até Alice me achar e me levar pra casa. Naturalmente, mamãe não ficou só nas palavras. Mas tudo bem, valia a pena receber cada palmada. Outras fugas aconteceram. Numa destas vezes, rodei o muro do Grupo e descobri um buraco. Vi alguns meninos saindo de lá. Eles sentaram junto ao muro e acenderam cigarros de caule de xuxu seco. Botaram fogo na ponta e colocaram na boca. Fiquei olhando a cena um bom tempo imaginando por que faziam aquilo e que gosto aquilo teria. Eu via Papai fumando cigarros de maço, mas, às vezes, ele acendia uns feitos de palha, recheados com pedacinhos que ele cortava de um rolo escuro, que tinha um cheiro muito bom. Eu ficava ao seu redor cheirando a fumaça. Muitos funcionários da Fabrica fumavam aquilo também. Mas voltando ao buraco no muro. Se dava pra sair, dava pra entrar. Dia seguinte, comi feito um raio meu almoço, que mereceu um elogio da Alice. Sai correndo e cheguei antes da entrada da turma. Me esgueirei junto ao muro, me atrevi mais um pouco e entrei no Grupo pelo buraco do muro. Já dentro, vi que haviam janelas que davam para um corredor e eram baixinhas, pertinho do chão. Cheguei até a beirada e olhei pra dentro. Sala vazia. Pulei pela janela e entrei. Me escondi ao fundo, ao lado da carteira da última fileira. A turma começou a entrar e alguns, meus amigos, me reconheceram e fizeram piadas sobre meu “esconderijo. Me instalaram nesta mesma ultima carteira, vaga. Me deram folhas de papel e lápis. E lá estava eu, esperando a professora entrar. Ela entrou e não deu por mim. Começou a escrever no quadro-negro e os meninos copiavam o que a professora escrevia. Comecei a copiar também. Depois que escreveu tudo, ela começou a falar o que havia escrito, enquanto todos copiavam. Eu também. De tão concentrado que estava em meus escritos, não reparei que a voz dela foi ficando mais alta, mais alta até que a meu lado a vista se fez de um vestido azul-claro. – “O que temos aqui? Um novo aluno? Você é muito novo, tem quantos anos?” disse a professora me olhando bem de perto. Fiquei sem palavras. Abaixei a cabeça. Ela estendeu a mão e pegou meus escritos. “-Voce tem uma letra bonita e escreveu tudo certinho. Quem te ensinou a ler e escrever?” Sem olhar para a professora, respondi baixinho: “ Mamãe.”
Á tarde, mamãe tinha mais tempo pra nós, pra mim e Patricia, minha irmã. Depois de colocar meu irmãozinho, bebê ainda, Bráulio, pra dormir, contava histórias e lia pra gente. Comecei a entender as letras e as palavras ainda bem novinho, com uns 3 a 4 anos. Fui me alfabetizando devagarzinho, conhecendo o significado de algumas palavras e a escrever algumas frases. Com 5 anos eu já lia os jornais da capital e o Diario do Oeste, de Pitangui, que papai trazia para casa. Lia catálogos de tecidos, lia receita de médico, lia qualquer coisa que aparecesse pela frente. Ele morria de rir: “Disparou...” dizia pra mamãe. E eu era ávido por este mundo diferente do meu, do cotidiano.
Passei a perceber que à tarde, quando eu ficava em casa, meus amigos não apareciam. Iam pro Grupo Escolar, ter aula. Não havia reparado nisto antes. Passei a reparar. Perguntei a mamãe que me explicou rapidamente. “-Um dia você também vai...” e pronto. O Grupo Escolar ficava do outro lado do muro da Fabrica. Eu ainda não tinha idade para frequentar. Mas percebi que tinha uma inveja danada de meus amigos e das coisas que eles contavam que tinham acontecido lá. Das provas, das notas, e dos livros e cadernos...
Um dia, sem que a Alice, nossa babysitter, percebesse, fugi depois do almoço, e acompanhei meus amigos até a porta do Grupo. Voltei correndo. Mamãe descobriu, ficou brava por eu sair sem lhe falar nada. Passados alguns dias, lá fui eu de novo. Desta vez demorei mais. Fiquei lá fora, vendo os alunos entrarem. Subi em um morrinho que tinha ao lado da escola e de lá pude ver eles sentarem, cada um com sua mesinha, abrir os cadernos, esperar pela entrada da professora, que foi logo escrevendo em uma parede preta, que vim a saber depois, chamava-se quadro-negro. Fiquei muito tempo ali apreciando e reparando as conversas e brincadeiras, as falas da professora, até Alice me achar e me levar pra casa. Naturalmente, mamãe não ficou só nas palavras. Mas tudo bem, valia a pena receber cada palmada. Outras fugas aconteceram. Numa destas vezes, rodei o muro do Grupo e descobri um buraco. Vi alguns meninos saindo de lá. Eles sentaram junto ao muro e acenderam cigarros de caule de xuxu seco. Botaram fogo na ponta e colocaram na boca. Fiquei olhando a cena um bom tempo imaginando por que faziam aquilo e que gosto aquilo teria. Eu via Papai fumando cigarros de maço, mas, às vezes, ele acendia uns feitos de palha, recheados com pedacinhos que ele cortava de um rolo escuro, que tinha um cheiro muito bom. Eu ficava ao seu redor cheirando a fumaça. Muitos funcionários da Fabrica fumavam aquilo também. Mas voltando ao buraco no muro. Se dava pra sair, dava pra entrar. Dia seguinte, comi feito um raio meu almoço, que mereceu um elogio da Alice. Sai correndo e cheguei antes da entrada da turma. Me esgueirei junto ao muro, me atrevi mais um pouco e entrei no Grupo pelo buraco do muro. Já dentro, vi que haviam janelas que davam para um corredor e eram baixinhas, pertinho do chão. Cheguei até a beirada e olhei pra dentro. Sala vazia. Pulei pela janela e entrei. Me escondi ao fundo, ao lado da carteira da última fileira. A turma começou a entrar e alguns, meus amigos, me reconheceram e fizeram piadas sobre meu “esconderijo. Me instalaram nesta mesma ultima carteira, vaga. Me deram folhas de papel e lápis. E lá estava eu, esperando a professora entrar. Ela entrou e não deu por mim. Começou a escrever no quadro-negro e os meninos copiavam o que a professora escrevia. Comecei a copiar também. Depois que escreveu tudo, ela começou a falar o que havia escrito, enquanto todos copiavam. Eu também. De tão concentrado que estava em meus escritos, não reparei que a voz dela foi ficando mais alta, mais alta até que a meu lado a vista se fez de um vestido azul-claro. – “O que temos aqui? Um novo aluno? Você é muito novo, tem quantos anos?” disse a professora me olhando bem de perto. Fiquei sem palavras. Abaixei a cabeça. Ela estendeu a mão e pegou meus escritos. “-Voce tem uma letra bonita e escreveu tudo certinho. Quem te ensinou a ler e escrever?” Sem olhar para a professora, respondi baixinho: “ Mamãe.”
-“E
ela sabe que você está aqui?” “Não”. – “É o filho do Sô Afonso e da Dona
Marelena, professora,” disseram quase ao mesmo tempo alguns alunos.
“Ah!
Sei... Voce pode ficar até acabar de copiar.” A professora olhou pra mim e não
disse mais nada.
Saiu da sala. Num instantinho, lá estava a Alice, preocupada e muito brava. “Cê é doido, menino, sumir assim, sem falá nada... já te procurei pelo Brumado todo... Sua mãe tá doida atrás docê.” Completou me puxando pelo braço, sala afora. Cheguei em casa, minha mãe não esperou nada e tome palmada e castigo. Filha de Dona Isaura, agia como filha de Dona Isaura. E tome mais palmadas. –“Vou falar com seu pai, você vai ver...” Nem prestei atenção aos xingamentos, nem na ardência de minhas pernas e bunda, com tanta palmada. Enquanto ela xingava e me dava os tapas, eu ficava falando do Grupo, da aula, da professora, tentava mostrar meus escritos, meu primeiro dever de aula... Eu estava super excitado com minhas novas experiências. Aquela noite custei a pegar no sono.
Dia seguinte, o Ciro, meu amigo mais chegado, me chamou para ir à sua casa ver os cachorrinhos que nasceram naquela noite. Ciro era meu melhor amigo e a familia dele morava numa casa perto da nossa. De lá escutei a Alice me berrando pra vir pra casa tomar banho pra almoçar. Demorei ainda mais um pouco e voltei. Entrei pela cozinha e, como sempre fui beliscando as comidas, um pedaço de mandioca, uma linguicinha e outras gostosuras. Ao chegar na sala escutei uma voz diferente. Parei. Escutei mais um pouco. Era mamãe e uma outra voz de mulher. "Conheço aquela voz," pensei... E a voz continuava a falar :
" ...ele ficou lá, sentadinho, copiando e prestando uma atenção danada... Me deu uma pena danada, D.Marelena, de mandar ele embora... E olha que ele não errou nada da lição. Copiou tudo certinho, do jeito que eu escrevi no quadro-negro..."
“É, ele é muito esperto, mesmo. Já sabe ler. E só tem 5 anos, sabe. Lê de tudo. Agora ele quer que o pai dele leve ele pra Fábrica, para aprender a mexer nas maquinas, nos teares... Vê se pode... "
" D.Marelena, que qui a senhora acha de deixar ele ir pra aula? A Alice leva, eu ponho ele na primeira mesinha, e depois da aula a Alice vai lá e busca... Olha, eu trouxe aqui um caderno, lapis e borracha e um livro de história para ele ir lendo. Conversa com Sô Afonso e quem sabe né... manda ele amanhã lá no Grupo. Deixa que nós vamos cuidar bem dele. "
"Tá bom D.Veza, vou falar com o pai dele e amanhã, quem sabe, ele vai. Muito obrigado a Sra.. A Sra. não quer mesmo ficar pro almoço? "
"Brigado, D.Marelena. Fica pra outra vez. Bom dia."
É claro que o dialogo que reproduzi acima não é fiel ao que aconteceu, pois lá se vão 55 anos. Mas o sentido é o mesmo e vocês pode tê-lo como autêntico. Foi ali que fiquei sabendo o nome da dona da voz: D.Veza - ela que seria minha primeira professora. Minha mãe me encontrou na cozinha, depois da saída da D.Veza e viu que eu tinha escutado tudo. “- E aí, quer ir pro Grupo amanhã? D. Veza disse que pode... Olha o que ela trouxe para você...” e me entregou o material. Acho que não respondi nada. Não precisava. O brilho dos meus olhos dizia tudo. Peguei o livro de historias, fui para a varanda e deitei na rede. Mamãe parou do lado e ficou olhando para mim... Seus olhos marejavam. Eu que só tinha olhos para o livro, olhei para ela e vi uma lagrima que insistia em sair e descer rosto-abaixo. Ela sabia que naquele dia se abria para mim uma porta grande a um mundo novo, do qual ela já havia me falado antes. Mas só ela sabia o quanto esta porta e o quanto este novo mundo seriam importantes....
Para mim, aquele mundo dos livros era feito de fantasias e aventuras que preenchiam minha imaginação...
Até hoje.
Saiu da sala. Num instantinho, lá estava a Alice, preocupada e muito brava. “Cê é doido, menino, sumir assim, sem falá nada... já te procurei pelo Brumado todo... Sua mãe tá doida atrás docê.” Completou me puxando pelo braço, sala afora. Cheguei em casa, minha mãe não esperou nada e tome palmada e castigo. Filha de Dona Isaura, agia como filha de Dona Isaura. E tome mais palmadas. –“Vou falar com seu pai, você vai ver...” Nem prestei atenção aos xingamentos, nem na ardência de minhas pernas e bunda, com tanta palmada. Enquanto ela xingava e me dava os tapas, eu ficava falando do Grupo, da aula, da professora, tentava mostrar meus escritos, meu primeiro dever de aula... Eu estava super excitado com minhas novas experiências. Aquela noite custei a pegar no sono.
Dia seguinte, o Ciro, meu amigo mais chegado, me chamou para ir à sua casa ver os cachorrinhos que nasceram naquela noite. Ciro era meu melhor amigo e a familia dele morava numa casa perto da nossa. De lá escutei a Alice me berrando pra vir pra casa tomar banho pra almoçar. Demorei ainda mais um pouco e voltei. Entrei pela cozinha e, como sempre fui beliscando as comidas, um pedaço de mandioca, uma linguicinha e outras gostosuras. Ao chegar na sala escutei uma voz diferente. Parei. Escutei mais um pouco. Era mamãe e uma outra voz de mulher. "Conheço aquela voz," pensei... E a voz continuava a falar :
" ...ele ficou lá, sentadinho, copiando e prestando uma atenção danada... Me deu uma pena danada, D.Marelena, de mandar ele embora... E olha que ele não errou nada da lição. Copiou tudo certinho, do jeito que eu escrevi no quadro-negro..."
“É, ele é muito esperto, mesmo. Já sabe ler. E só tem 5 anos, sabe. Lê de tudo. Agora ele quer que o pai dele leve ele pra Fábrica, para aprender a mexer nas maquinas, nos teares... Vê se pode... "
" D.Marelena, que qui a senhora acha de deixar ele ir pra aula? A Alice leva, eu ponho ele na primeira mesinha, e depois da aula a Alice vai lá e busca... Olha, eu trouxe aqui um caderno, lapis e borracha e um livro de história para ele ir lendo. Conversa com Sô Afonso e quem sabe né... manda ele amanhã lá no Grupo. Deixa que nós vamos cuidar bem dele. "
"Tá bom D.Veza, vou falar com o pai dele e amanhã, quem sabe, ele vai. Muito obrigado a Sra.. A Sra. não quer mesmo ficar pro almoço? "
"Brigado, D.Marelena. Fica pra outra vez. Bom dia."
É claro que o dialogo que reproduzi acima não é fiel ao que aconteceu, pois lá se vão 55 anos. Mas o sentido é o mesmo e vocês pode tê-lo como autêntico. Foi ali que fiquei sabendo o nome da dona da voz: D.Veza - ela que seria minha primeira professora. Minha mãe me encontrou na cozinha, depois da saída da D.Veza e viu que eu tinha escutado tudo. “- E aí, quer ir pro Grupo amanhã? D. Veza disse que pode... Olha o que ela trouxe para você...” e me entregou o material. Acho que não respondi nada. Não precisava. O brilho dos meus olhos dizia tudo. Peguei o livro de historias, fui para a varanda e deitei na rede. Mamãe parou do lado e ficou olhando para mim... Seus olhos marejavam. Eu que só tinha olhos para o livro, olhei para ela e vi uma lagrima que insistia em sair e descer rosto-abaixo. Ela sabia que naquele dia se abria para mim uma porta grande a um mundo novo, do qual ela já havia me falado antes. Mas só ela sabia o quanto esta porta e o quanto este novo mundo seriam importantes....
Para mim, aquele mundo dos livros era feito de fantasias e aventuras que preenchiam minha imaginação...
Até hoje.
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