sexta-feira, 31 de agosto de 2012

alguns poemas de Antonio Carlos Secchin*...

1- Biografia


O poema vai nascendo
num passo que desafia:
numa hora eu já o levo,
outra vez ele me guia.

O poema vai nascendo,
mas seu corpo é prematuro,
letra lenta que incendeia
com a carícia de um murro.

O poema vai nascendo
sem mão ou mãe que o sustente,
e perverso me contradiz
insuportavelmente.

Jorro que engole e segura
o pedaço duro do grito,
o poema vai nascendo,
pombo de pluma e granito.


2-  Ou


você pode me pisar
que nem confete
você pode me morder
que nem chiclete
você pode me chupar
que nem sorvete
você pode me lanhar
que nem gilete
só não pode proibir
que nem piquete
se eu quiser escapulir
que nem pivete


3- À noite


todas as palavras são pretas
todos os gatos são tardos
todos os sonhos são póstumos
todos os barcos são gélidos
à noite são os passos todos trôpegos
os músculos são sôfregos
e a máscaras, anêmicas
todos pálidos, os versos
todos os medos são pânicos
todas as frutas são pêssegos
e são pássaros todos os planos
todos os ritmos são lúbricos
são tônicos todos os gritos
todos os gozos são santos


4- "Estou ali..."


Estou ali, quem sabe eu seja apenas
a foto de um garoto que morreu.
No espaço entre o sorriso e o sapato
há um corpo que bem pode ser o meu.

Ou talvez seja eu o seu espelho,
e olhar reflete em mim algum passado:
o cheiro das goiabas na fruteira,
o barulho das águas no telhado.

No retrato outra imagem se condensa:
percebo que apesar de quase gêmeos
nós dois somos somente a chama inútil

contra o escuro da noite que nos trai.
Das mãos dele eu recolho o que me resta.
Chamo-lhe de menino. Mas ele é meu pai.


5- Tempo: saída & entrada


No tempo de minha avó,
meu feijão era mais sério.
Havia um ou dois óculos
me espiando atrás
de molduras roídas.
Mas eu era feliz,
dentro da criança
o outono dançava
enquanto pulgas vadias
dividiam os óculos.

Dentro da criança,
as pulgas espiavam
o outono vazio,
dividiam minhas molduras
roídas por óculos vadios.
No tempo de meu feijão
minha avó era mais séria.

* Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

sábado, 18 de agosto de 2012

Vida-flor




Houve um tempo,
Um momento incolor, 
Desalento...
Tudo em mim fez passado, cessou,
Pensamento vazio, o inverso do amor....
E o tempo a passar, a passar ... e passou...

Quis jamais que o amor se acabasse,
Mas querer só, não mostra a outra face,
E se não foi meu querer,
Por que haveria o impensável, romper?
Eu não sei, eu não sei, vai saber...

Só depois... bem depois
Sonhei ter lassidão, calmaria.
Frustração,
De quem perde a razão de viver,
Perde via a traçada pro ser, 
Como um cego na rua sem guia,
E sem cão...

Ledo engano.
As agruras mais vis, renitentes,
Aliadas ao medo, parceiro presente,
Nesta luta em que a dor me venceu,
Desigual, arrasou, corroeu,
Derrotou coração persistente...

Desprezível emoção...
Revelou todo lado impotente,
Fez de mim um perdido, um doente,
Por sentir tentação, por ainda te amar,
Ou pedir pra morrer,
Pra poder te alcançar
No infinito possível da mente...

E chegou o pior: solidão.
Oh! parceira invisível de toda paixão,
Que nos mata de dor, frustração,
Que a remove da luz,
Que celebra este breu, 
Que envolveu, submissas,
As Iaras aos mandos de Orfeu...
Fez-se a noite.
E a seu fim,
Foi-se o Eu...

Mas,
Sem querer ou porque,
Ou quem sabe do nada,
Junto ao Sol, novo amor, veio a pino,
Sem medir, se importar em ser fino,
Simplesmente chegou, sem se impor,

Me tirou do estupor,
De menino,
Enrustido, infantil, e fugindo...
Em suas asas o tempo parou...

Meu Coração,
Qual deserto areado, acolheu...
E a semente insistente, brotou,
E se abriu entre espinhos da dor...

Me senti primavera no amor,
Espalhando consigo a beleza,
Trazendo consigo a certeza
Do esquecido e esperado esplendor...

Oh! Quero-me seu...
Paisagem de céu matinal
Verdejantes, seus campos tranqüilos
Coloridos, qual mar de coral,
Ela veio e...
Moldou-se a mim por igual.

Vejo em mim,
Hoje sei,
Velha dor já se foi, descolou,
E o deserto, que um dia foi parte do fim,
Em jardins, resurgiu, floresceu...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Volta...



Volta.


Volta..
A Primavera canta em mim,
O sol se faz em bom tempo,
Meu coração parece caixa de música,
... e voce longe de mim...



Volta...
Suas mãos longe de mim,
Seu corpo macio e quente,

Longe de mim,
Seu sorriso diferente,

Inebriante e persistente,
Não sorri perto de mim...

Volta...
Quero ser o ser-amado,
Ser o amor, ser seu cuidado,

Ser perdão, ser consolado
Ser o dia ensolarado
Que te acorda nas manhãs...

Volta...
Quero meu lugar marcado

Quero o espaço entre seus braços,
Quero abraços desmedidos,
Com mexidas quadriláteras,
Quiropráticas fluências,
Resistências vãs, intactas,
Nestas fendas cabisbaixas
Nos encaixes perpetrados
Nos embates abstratos,
Nestes prados,
Nestas partes
Nos enfartes
Do prazer...

domingo, 29 de julho de 2012

Maria Helena Guimarães Pena ( 26 -02 - 1929 / 25 - 07 - 2012 )

Neste último dia 25 de julho, perto das 8 da noite, minha mãe nos deixou. Foi encontrar meu pai Afonso, minha vó Izaura e meu avô Juquita, e quem sabe, conversar um pouco com Guimarães Rosa, de quem era fan. Poeta e escritora, apesar da pouca instrução, se equilibrava muito bem entre as palavras. Fez poesias simples e bonitas, escreveu textos ora singelos, ora profundos, ora emocionantes. Participava ativamente da Academia Familiar de Letras Guimarães Rosa, um rumo positivo que encontrou na vida, após o passamento cedo de papai. Eu, que sempre estava por perto nas suas necessidades gramaticais e tentando ajudá-la em algum verso, recolhi seu inventário literário. Vou organizá-lo e postar aqui algumas de suas obras. Vou selecionar algumas e mandar publicar. Tenho certeza que ela gostaria muito disto.
 Abaixo uma poesia que fez para sua mãe Isaura, em agosto do ano passado. Faltava o ultimo verso. Me mostrou e fizemos algumas mudanças. Disse a ela que, quando terminasse, me mostrasse de novo. Não deu tempo. Fiz o ultimo verso na noite do dia 25, depois de seu adeus. Com o mesmo tema, mas com pensamento diferente do dela, captando-o, mas me colocando, agora, no lugar dela. 

Postei 3 fotos dela em momentos distintos de sua vida.

mamãe aos 5 anos

 Comigo, aos 10 meses...




com papai, em 1980.


Querida mamãe
Maria Helena Guimarães Pena

Ah! quantas saudades trago comigo...
Falar de você, mamãe,
Lindas palavras encontro,
Mas dizer... Não consigo...

Onde está você, mamãe?

Sussurro bem baixinho
O meu amor em lembranças
Que com choro e lágrimas se misturam
Implorando o teu carinho...

Sinto tua ausência , mamãe...

Procuro vê-la em sonhos.
Mas a imaginação
Me retrata um outro mundo,
Meu passado refeito em quimeras e ilusão...

Preciso ver você, mamãe...

É tão grande este desejo
Que um anjo terno e amigo
Se apieda e envolve-me num abraço.
Em suas asas, a redenção e o abrigo.

Podia ser você, mamãe...

...e de repente, logo ali no infinito,
A imagem tua reflete e brilha...
E no findar da espera,
Da eterna paz do Bendito,
Me achego a teu colo,
E enfim, me permito:

Mamãe, aqui está tua filha...

terça-feira, 24 de julho de 2012

Quem quer viver para sempre ? tradução da musica do Queen " Whos wants to live forever"



Não há tempo para nós
Não há lugar para nós
Que coisa é essa que constrói nossos sonhos
E depois os leva para longe de nós?

Quem quer viver para sempre?
Quem quer viver para sempre?

Não existe chance para nós
Está tudo decidido para nós
Esse mundo tem somente um momento doce
Reservado para nós

Quem quer viver para sempre?
Quem quer viver para sempre?

Quem ousa amar para sempre?
Quando o amor deve morrer?

Então toque minhas lágrimas com seus lábios
Toque meu mundo com a ponta dos seus dedos
E poderemos viver para sempre
E poderemos amar para sempre
Para sempre é nosso hoje

Quem quer viver para sempre?
Quem quer viver para sempre?

Para sempre é nosso hoje
Quem espera para sempre, afinal?

quinta-feira, 19 de julho de 2012

HOLY! Poema de Allen Ginsberg publicado em HOWL (UIVO) seu livro mais controverso.


                                           Aos 31 anos, quando escreveu o poema

HOLY (SANTO)

Poema de Allen Ginsberg em “Howl”(Uivo)

Santo! Santo! Santo! Santo! Santo! Santo! Santo! Santo! Santo!
Santo! Santo! Santo! Santo! Santo! Santo!
O mundo é santo! A alma é santa! A pele é santa!
O nariz é santo!
A língua, o pênis, a mão
e vagina, santos!
Tudo é santo! Todo mundo é santo! em todos os lugares,
santos! todos os dias são para a eternidade!
 Todo homem é um anjo!
O vagabundo é tão santo quanto o serafim! o louco é
santo como você e minha alma são santos!
A máquina de escrever o poema é santa, é santa a voz, são
santos os ouvintes, o êxtase é santo!
Santo é o desconhecido e o sofrimento,
os mendigos são santos e anjos os terríveis humanos!
Santa é minha mãe no asilo de loucos! Santo são os galos
e galinhas de meus avós no Kansas!
Santo é o saxofone gemendo! Santo á a bomba do
apocalipse! Santa é a maconha e as jazzbands,
escoladas na paz do lixo e nos tambores!
Sagradas as solidões dos arranha-céus e das calçadas! Santas
as cafeterias, cheia de milhões! Santos os
rios misteriosos de lágrimas sobre as ruas!
Santo é o rolo compressor solitário! Santo é o cordeiro vestal da
classe média! Santo são os pastores loucos de rebeldia
 Que afundam Los Angeles! Santa Los Angeles!
Santo, Santo, em New York, San Francisco e Seattle,
 Santa Paris, Santo Tânger, Santo Moscou, Santa Istambul!
Tempo sagrado na eternidade, a eternidade no tempo dos santos,
Santos os relógios no espaço, santa a quarta dimensão, santa
a quinta Internacional Socialista, santo o anjo em Moloch!
Santo, santo, santo o mar, o deserto, santa a ferrovia, a
locomotiva, santo, santas, visões, alucinações,
santo, santo, santo o globo ocular, santos milagres do abismo!
Santo perdão! Santa misericórdia! Santa caridade! Santa fé!
 Santos nossos corpos! Santo sofrimento! Santa magnanimidade!
Santo sobrenatural, adicional, inteligente, brilhante...
Santa bondade,
Santa alma!





Allen Ginsberg, nascido em Newark, New Jersey, 03 de junho de 1926, é um poeta americano e apóstolo líder da geração beat.

Seu primeiro trabalho publicado, Howl( Uivo e Outros Poemas ) "(1956), provocou a San Francisco Renaissance e definiu a geração dos anos 50 com uma autoridade e uma visão que não tiinha ocorrido nos Estados Unidos desde que TS Eliot capturara a ansiedade de década de 1920 em The Waste Land.

A Raiva e o Brado de Ginsberg contra valores materiais, no entanto, foi com voz muito diferente do luto acadêmico de Eliot para a perda do espírito. Em seu segundo grande trabalho, '\ Kaddish \' (1961), um poema sobre o aniversário da morte de sua mãe, Ginsberg descreve sua relação angustiada.

Na década de 1960, com determinação participar do movimento anti-Vietnam War, publicou várias obras poéticas, incluindo 'Sanduíches de Realidade \ \' (1963) e '\ Notícias Planeta \' (1969).

'\ The Fall of America \' recebeu o National Book Award de 1974. '\ Collected Poems \', 1947-1985 (1995), contém todo o seu importante trabalho, '\ mortalha branca \' (1987) inclui os poemas dos anos 1980.

Ginsberg se vê como parte da tradição profética na poesia iniciada por William Blake e continuou por Walt Whitman. Ele cita suas influências contemporâneas como William Carlos Williams e seu amigo Jack Kerouac.

Faleceu em 1997.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Olhar azul...



Mais forte que este amor, sei não há.
Nem existe um amor que ame qual... 

Um dia, uma estrela no céu me encantou.
Foi olhando voce, que eu a vi.
Uma estrela num olhar tão azul, linda ....

Se a lua se for, se apagar
Se as nuvens cobrirem de cinza este céu
Seguirei o caminho que esta luz clarear
Seguirei minha estrela na luz deste olhar...

Eu sei que estou apaixonado
E sei que o amor faz tudo ficar azul, tudo azul...

E se entre mil, talvez mais
De um milhão de estrelas brilharem,
Se todas luzes do ceu se juntarem
Serão só como a luz de farol lá dos mares do sul

Pois nada brilha mais forte pra mim  
Do que a luz de uma estrela
Que vejo no azul deste olhar,
Neste céu que se faz todo azul,
Pra tentar (mesmo em vão) se igualar...

sábado, 16 de junho de 2012

O fio do Seu Fulô, lá do Codesburgo...


Dia 27 de junho faz 104 anos do nascimento de João Guimarães Rosa. Abaixo o relato de uma testemunha que presenciou o fato(o nascimento) e parte da vida de JGR

 

 

 

 

O fio do SeuFulô,  lá do Códesburgo...

                                                                           
 “ Meus amigo, ocêis num se alembra, pruquê ocêis tudo é mucho novo...
Mai foi num dia 27 de juin de mili-novicenz-e-ôto, dia de sábo, um sábo carqué,
pregunta o povo intero, sábo de arraiár, fuguete e buscapé...
Dia de forgá da lida, da peleja do trabaiadô...
Mai num pensava assim o meu Cumpadre, o SeuFulô... Pra ele, era inspeciár o dia.
Dia de cruzá os dêdo, daquêis de fazê vigia...
Lá de dento da mudesta moradia, vinha uns grito arto... Eita!! Arguém gemia...
Chiquitinha, sua muié, cumpanhêra de luta e fé, num insforço aderradêro,
 (tá certo, foi num berrêro), mas sem ajuda deinfermêra, pariu com dor, de vezada,
depositando a barrigada, nos braço da fiér Partêra, (que chegô lá na sextafêra...
 Deus-do-Céu, que trabaiêra!).
Té quinfim, pensô SeuFulô. Dos seus fio, o premero.
Na cama o risurtado inda chorava, quando o Fulô em repentino, adentrou os quarto, em pranto: mai deu sunriso largo, ao vê quiera menino:

-Vai se achamá João, cumpretô de supetão, assustando as cumadre que tava ali assistino a parição. E deu pro resurvido o pobrema.
...e de noite, lá no bar do Zé Muchiba, sem ligá pros das intriga, nem pros sordado da guarnição, bebeu tudo e gritou arto, pra alertar os forte ou fraco, que pudéss aparincê na região:

 -É Fio-home, é cabra-macho, saco-rôcho e pirocão...

E fez questão de dá pros santo, moiada da mió cachaça comprada nas banda do riberão:
-Quié pra assegurar distino, falô e tomô o resto da branca de arrancada...

Forte e branquélo era o rebento. Dozóio craro, risadatôa... 
Pesar dum pôco resmunguento, mamou logo nos petcho. Vida danada da boa.
E porpôco já corria, já brincava, gritava de dexá surdo, no quintár ou casa adento, alegrando as vizinhança, na piquena Códesburgo.
Lá cresceu e sinstudô, até que da famia siapartô, e siamudô  pra capitár, (pra ser dôtô, uai!!). E da vida levô sorte. O moço arto e forte, siacasô, virô dôtô (do mió porte), e escrivinhador das istóra do sertão. 
Mai isso eu conto adispôs...

Tutaméia, sô ! Chega de proseá. Tô no atraso. Eu e um cumpadre temo que carreá uns boi, e ele deva tá mesperando... Cês num viu puraí o Cumpadre Manerzão?

terça-feira, 12 de junho de 2012

E assim me faço presente...



Os que disseram um dia que a dor ia acabar
Se enganaram e me iludiram.
A dor não acaba jamais , apenas descansa,
Dando espaço para alegria se apresentar.
Como se fosse um show, uma  encenação
Onde a platéia é quem vai poder julgar
Se ela permanece, ou dá espaço
Para novamente a dor voltar...
Voltar ao palco que é minha vida.
Onde tristeza e alegria se apresentam
De formas tão uniformes,
Que já não sei mais se sou alegremente  triste
Ou se sou tristemente alegre.
Mas, a todos que assistirem a esse show
Ao final por favor aplaudam...
Pois se ainda estou aqui me apresentando
É porque meu peito ainda se abre ao novo
Ao desconhecido, ao imperdoável,
Às dores e alegrias.
E mesmo que meu show lhe faça chorar,
Lembre-se, sempre, que somente assim
É que posso me fazer presente.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Acidente na Nossa Senhora do Carmo em BH

É UM ABSURDO !!!

Hoje não tem poesia.
Tem um absurdo continuado.
A história de uma via ceifadora de vidas.
Tem um crime hediondo cometido à contumácia, pelas autoridades constituídas, entra governo, sai governo e tudo contiuna como está.
Ou pior, vai aumentando a lista de pessoas que perderam as vidas, ficaram aleijadas, perderam seus entes queridos.
E nada se faz.


 FOTO: DOUGLAS MAGNO/O TEMPO


 Três pessoas morreram e, pelo menos, oito ficaram feridas em um grave acidente na avenida Nossa Senhora do Carmo com avenida Uruguai, no bairro Carmo, na região Centro-Sul da capital, envolvendo uma carreta carregada com bobina e vários veículos nesta quarta-feira (6/6/2012).


Sou pai de dois: um com 27 e outro com 29. Moro no Sion há 50 anos.
Já vi vários acidentes deste tipo nesta antiga BR-3, hoje Nossa Senhora do Carmo.
Não me canso de pedir a meus filhos para não passarem por esta via.
 "Sempre pelo bairro", digo a eles.
Agora, raciocinem comigo : voce para ser coronel, general tem que ter mais que 40, 50 anos...
Voce para pilotar um 747 tem que ter passado por um Cesna, um Navajo, um 707 e aí depois de várias horas de vôo vc se habilita para pilotar um dos grandes, não é ?
Por que será?
É claro que é experiência no assunto, não é mesmo.
Custava graduar a profissão de motorista de cargas pela experiência e não só pelo exame, pela letra na carteira (A,B,C ou D)?
Será que ninguem no DENATRAN, ou CETRAN, ou um deputado, sei lá, não consegue redigir uma norma, uma lei destas? É só reivindicar aumentos e prerrogativas?
Agora, uma vista por outro angulo:
Imagine um motorista inexperiente, que não conhece BH.
Se ele passar da entrada do Anel, ele só teria a Raja como opção, mas esta não tem uma alça larga para carretas. Ou seja ele é empurrado pelo desenho da via a descer a N.S.do Carmo. Não tem outra saída.
Por outro lado, a justificativa do motorista foi que "perdeu o freio". Ora se ele tivesse acertado e pego o Anel descendo, teriamos mais um acidente destas proporções no Betania.
Conclusão: falta de tudo, da ineficiencia das autoridades em mudar a lei para que somente motoristas experientes possam dirigir carretas, às autoridades responsáveis pela sinalização e engenharia de trafego ao não dar outra possibilidade a quem errou o trajeto, e finalmente, à Policia Rodoviária que deveria verificar o estado dos veiculos e sua conservação.
Aí abro um parenteses para sugerir que a "Vistoria veicular" seja urgentemente implantada e só sejam liberados os documentos com ela feita.
Não adianta recolher impostos somente: é preciso que a população tenha devolvido em serviços de qualidade o trabalho suado para ganhar o dinheiro dos impostos.
Que estas e outras vitimas sejam debitadas, primeiro às autoridades constituídas (e incompetentes) e depois ao motorista.
Temos que implementar os procedimentos sugeridos acima  por que, se não, um dia, a vitima pode ser voce ou pior, um filho(a) seu.
Aos feridos, principalmente ao jovem Lucas, quase da idade de meus filhos, toda força do mundo, para que saia desta
Meu profundo pesar aos parentes das vitimas, principalmente aos pais da jovem, estudante de medicina. Estou arrebentado por dentro. Imagino eles...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Filme - um poema em homenagem ao dia dos namorados



Um dia, me recordo
Era mocinho,  
E ela, a mais bela mocinha...
Eu e meus 14 anos
Ela 12, quase 13,
Minhas férias de verão,
Em Itaúna, um dia lindo...
 
Nosso encontro, já marcado
Às 6 da tarde de um domingo,
É lá na praça da Matriz.
Lá tem cinema, e num cinema, como sempre, um filme passa...

Do filme mesmo, lembro pouco
Ou quase nada...
Mas trago ainda bem marcada
A lembrança do suor das suas mãos, quando a vontade foi maior que a timidez, e a minha mão pousou na dela, sobre o braço da cadeira, num arroubo sem igual, jamais ousado...
Mas carregado de perene tremedeira,
Foi minha primeira vez...

Senti meu coração quase explodir...
Olhei pra tela, não vi nada...
Assim ficamos, sem mexer, mão com a mão dada...
Um filme inteiro, a se exibir, e um outro filme, por passar, dentro de nós...

E enquanto à frente, o filme em tela prosseguia,
Cada minuto, as sensações... tudo tremia,
O peito, as mãos, e os corações acelerados, festejavam a companhia que o encontro no cinema permitia, a vez, o dia de estar ali tão juntos, do “ficar, enfim, à sós”...

O puro amor, que ali nascia, em mãos suadas
Me faz hoje pressupor
Que em algum lugar o imaginário tem guardadas
Nossas primeiras gotas-gêmeas de suor...

E ao sairmos,
Quando a noite acontecia,
Ninguém viu, mal percebia,
Que um novo amor lá se arriscava,
Pisando em nuvens - a lua ao lado,
A iluminar, qual fantasia...

De mãos atadas, tão coladas e tão frias,
A namorada e o namorado,
Davam seu primeiros passos,
Todos versos em compassos
Das mais lindas poesias...

E foi ali, entre os canteiros do jardim,
Que me voltei e olhei pra ela,
E vi nos olhos lindos dela,
Minha imagem refletida,
Como o filme lá da tela...

Mas, vi também,
Que olhar azul dos olhos dela
Assistiam, através dos olhos meus,
Outro filme, como se fosse outra tela,
Com a imagem que 
Meu coração fez dela em mim...

sábado, 26 de maio de 2012

Vento Sul...




Amar,
Fim de tarde, de sol,
De um sol
Que tem hora,
E que vai para sombra
Que vem,
Sem alarde ou sinal,
Aparece, no dia, ao final, e
Anoitece o verão...

Em cena,
Seu corpo, suado e moreno
Brilhando, mexendo,
Moldado,
À palma da mão...
 Que percorre caminhos,
Desenha carinhos, e
Os beijos molhados
Parecem canção...

... e ao longe,
O horizonte faz ninho,
Prum sol-passarinho
Que foge,
Que  voa e se esconde,
Só quer refrescar
(ele é Sol, eu sou Mar...)

Colados, em corpo,
Laçados, no chão,
Vagando sem rumo
Eu sou esta mão
Que passeia seu dorso,
Se perde em teu sumo,
Sou vale profundo
Ele todo vulcão...

Eu sou o seu mar,
Sou seu vento do sul,
A soprar grãos de areia, das praias, no olhar...
Neste olhar tão azul,
Neste mar, que é azul
Só pra te copiar...

Sou sereia, só faço cantar...
Mergulhada num mar de delicias,
Ao sabor das marés, das
Paixões fictícias
Urdidas no amor,
Amar é enlouquecer...

E assim como veio,
Mansinho, ele  parte
Abandona meu peito, e
Leva seu corpo de mim...

Mas não vejo defeito
Na forma, no jeito, dele ser, dele agir...
Se cultiva esta arte,
De ir e de vir,
E de não se envolver...

Mas...
Carinhos à parte,
Eu entendo os de Marte,
Eu entendo...
 Se partiu,
Só partiu por saber,
Que eu não sou sua dona,
Eu não sou...
(Apesar de querer..)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Dúbio - em tres poemas


te detesto...                                             
te amo...
 e por isto não mencionei  como                 
as vezes eu digo que                             
(talvez, por falta  de tempo)                                      
(e não deveria dizer),    
enlouqueço ao ver que                                 
 simplesmente, desejar maltrata, e
me abomina muito                                        
a dependência que sufoca e
saber que pensar em ti                                        
me faz temer deixar-te, então
é pensamento vazio.                             
desprezo-me. sei que o
viver sem ti seria como                                        
reverso, só me traz
a utopia,                               
 o caos, por
um doce e indizível prazer de,                          
não poder te ver. 
um simples sonhar,                                   
me traz uma saudade imensa
mesmo sentindo em mim                       
a começar, tanta dor e angústia,
desta vez,                                            
como se naturais fossem e, que
as tonturas e náuseas que                       
sentidas profundamente
me invadem                                         
confundem
provando, tornando evidente                  
meu disfarce
de modo manifesto,                            
impossível, de amor por ti, e  
se mais e mais te detesto,
 cada vez,                   
por não estares aqui,
então
mais e mais,  insano, eu afirmo,                                       
atesto, por fim, ambiguamente,
te amo...  

                                               
te detesto...