segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Poema sobre Guimarães Rosa, classificado no concurso da SOBRAMES - Sociedade Brasileira dos Médicos Escritores





O fio do SeuFulô, lá do Códesburgo...

Chico Pena

Meus amigo, ocêis num se alembra, pruquê ocêis tudo é mucho novo...

Mai foi num dia 27 de juin de mili-novicenz-e-ôto, dia de sábo, um sábo carqué,

pregunta o povo intero, sábo de arraiár, fuguete e buscapé...

Dia de forgá da lida, da peleja do trabaiadô...

Mai num pensava assim o meu Cumpadre, o SeuFulô... Pra ele, era inspeciár o dia.

Dia de cruzá os dêdo, daquêis de fazê vigia...

Lá de dento da mudesta moradia, vinha uns grito arto... Eita!! Arguém gemia...

Chiquitinha, sua muié, cumpanhêra de luta e fé, num insforço aderradêro,

(tá certo, foi num berrêro), mas sem ajuda deinfermêra, pariu com dor, de vezada,

depositando a barrigada, nos braço da fiér Partêra, (que chegô lá na sextafêra...

Deus-do-Céu, que trabaiêra!).

Té quinfim, pensô SeuFulô. Dos seus fio, o premero.

Na cama o risurtado inda chorava, quando o Fulô em repentino, adentrou os quarto, em pranto: mai deu sunriso largo, ao vê quiera menino:

-Vai se achamá João, cumpretô de supetão, assustando as cumadre que tava ali assistino a parição. E deu pro resurvido o pobrema.

...e de noite, lá no bar do Zé Muchiba, sem ligá pros das intriga, nem pros sordado da guarnição, bebeu tudo e gritou arto, pra alertar os forte ou fraco, que pudéss aparincê na região: -É Fio-home, é cabra-macho, saco-rôcho e pirocão...

E fez questão de dá pros santo, moiada da mió cachaça comprada nas banda do riberão:

-Que é pra assegurar distino, falô e tomô o resto da branca de arrancada...

Forte e branquélo era o rebento. Dozóio craro, risadatôa... Pesar dum pôco resmunguento, mamou logo nos petcho. Vida danada da boa.

E porpôco já corria, já brincava, gritava de dexá surdo,

no quintár ou casa adento, alegrando as vizinhança, na piquena Códesburgo.

Lá cresceu e sinstudô, até que da famia siapartô, e siamudô pra capitár, (pra ser dôtô, uai!!). E da vida levô sorte. O moço arto e forte, casô, virô doto (do mió porte), e escrivinhador das istóra do sertão. Mai isso eu conto adispôs...

Tutaméia, sô! Chega de proseá. Tô no atrazo. Eu e um cumpadre temo que carreá uns boi, e ele deva tá mesperando... Cês num viu puraí o Cumpadre Manerzão?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário aguardará o moderador para ser publicado.